Para onde meus pés?
Meus pés irão para onde decidirem ir...
Onde, estiver eu, olhar baixo, num solo momento.
Calçada das Américas? Gramado verde enorme, silêncio de passarinhos?
Asfalto quente de barulho-poluição?
Pés na terra de roça, café plantado.
Ou estrada de pedrinhas?
Calçadão carioca...
Ao olhar para baixo, olhar do coração, certeza de onde piso, o que minha história deseja.
Para onde meus pés forem...
Irão para onde pensarem ir.
Pois aos pés são dados os milagres, tantas funções e quase inconsciência.
No olhar baixo ventre, distante e muito dos outros mundos vizinhos, impessoais, das ofertas e da nossa angustiante procura, onde não encontro nossos olhos-coração.
Dois pés, uma pessoa. Neles, seu próprio trato, maciez, intelecto!
Ao chão, vislumbro caminhos já passados.
Minha trajetória de criança na fazenda, adorando aquela operação de fim de tarde: desencardir os pés manchados pelas terras vermelhas de meu avô.
Pés imundos de infância.
Meias-Todas sujas e a delicia de saber que nas próximas férias, eles estarão mais elegantes: maiores!
Deixando pra lá espontaneidade para encontrar-se com o novo jeito da quinta série.
Pés experimentando mais altura, primeiros saltos sedutores e quase autorizados pela mãe.
Também a correntinha de ouro no tornozelo de moças. Lindas de colocar.
O dia em que ele te deixa sem chão, beijando-lhe os pés sem pressa. Fluído quente e tão diferente de tudo.
Para onde seus pés irão quando o livre arbítrio lhe vier como regalo?
Irão para onde decidirem ir.
Então, ao menos que seja: com olhos no chão, olhos-coração!
Escolher o mundo em que desejas caminhar.
Universo esperado e aos seus pés.
Pois aos pés, MILAGRES, CAMINHOS, FUNÇÃO.
...talvez consciência,... Mas nunca razão!
O cidadão Panamericano
O cidadão panamericano: minhas lembranças do sábio mendigo.
Nunca o vi tão inspirado como naquela noite fria, em que eu voltava do lançamento de um livro.
Já tomada de emoção, cheia de idéias pra escrever, tornar públicas também as minhas palavras...
Observando quão múltiplo o universo de dimensões em que nos encontramos... Cada qual com seu universo pessoal!
Do lado de cá... Nosso mundo: shoppings, livrarias, lançamentos, cultura, conhecimento ou esclarecimento mental: o apogeu da elite cultural!
Por isso, maior surpresa ao passar e, ainda vê-lo por lá. Há doze anos está lá: MENDIGO e igual para se ver.
Veste sua coroa de plástico. Nas mãos a caneta bic preta, pedaços de papel. Segue o dia todo com suas anotações.
Como escritor, este mendigo-cidadão trabalha bem mais horas do que nós... Teria ele, mais a dizer?
Poderia já ter publicado muitíssimos volumes com tantas horas de trabalho repetitivo a que se submete diariamente.
Mas apenas tem idéias e escreve.
Como! Há quanto tempo!
Mas, do que mesmo é feito o seu pensar?
O que lhe move?
O que não aceita jamais?
O que o inspira?
Qual o seu mundo?
Inconformidade, traços e meias-palavras caóticas?
Este seu texto, busca como o meu, razão ou linearidade?
Vejo-me, ainda adolescente, andando pelas ruas de São Paulo, com máquina fotográfica pesada nas mãos... Caminhando quilômetros, atrás de imagens paulistanas e inusitadas...
Foi nesta época, caminhando inocente, que descobri este cidadão panamericano.
Desde então, por vezes lhe vigiei, visitei...
Mas depois de tanto tempo...
Já decolei daqui tantas vezes, encontrei outros destinos para minha história. Também pousei de volta outras tantas vezes...
...enquanto mudei de cena, de trabalho, amor, personalidade e finalidade...
Ainda lá... ainda louco...ainda são... Ainda salvo... E, ainda então...
Escreve e sequer sabe... da gente.
Numa ocasião, quando o cliquei sem permissão, ríspido, disse que o retrato seria para trazer-me fama e dinheiro, como jornalista.
Neste dia, “conversamos”... E escutei silenciosa, sem contestar.
Estava ciente e muito senhor do seu lugar na sociedade...
Como produto exótico, diferente... espécie de ruído social.
Deste então, passei a vê-lo e pensar nele como o REI
Pois- de verdade- tem sua coroa na cabeça, a mesma longa barba e as palavras escritas, que transbordam de seu pântano interior.
Meu rei é uma estátua viva, onde não pousam pombas, ou se chega perto.
Não é ponto turístico, não incomoda ou se faz ver... quase não existe.
Mas acaba por ter presença brasileira: fala português claro, olha nos olhos...
E hoje, e - já há tempos- vive no entorno da Praça “Pan-americana”.
Somente habita.
Sua morada, de lona preta, coisa rasteira...
E faz-nos refletir que a crença de que devemos civilizar os mendigos, domesticar os índios, gerir os loucos, salvar a humanidade defende que meu amigo Rei é infeliz, pois não está inserido...
Mas este cidadão...
Mundano, histórico, exclusivo...
Ainda assim me Inspira, fascina.
Pois é senhor desconhecido... Porém dono e possuidor ...de seu precioso e quase secreto universo...
Pan-americano.
Nunca o vi tão inspirado como naquela noite fria, em que eu voltava do lançamento de um livro.
Já tomada de emoção, cheia de idéias pra escrever, tornar públicas também as minhas palavras...
Observando quão múltiplo o universo de dimensões em que nos encontramos... Cada qual com seu universo pessoal!
Do lado de cá... Nosso mundo: shoppings, livrarias, lançamentos, cultura, conhecimento ou esclarecimento mental: o apogeu da elite cultural!
Por isso, maior surpresa ao passar e, ainda vê-lo por lá. Há doze anos está lá: MENDIGO e igual para se ver.
Veste sua coroa de plástico. Nas mãos a caneta bic preta, pedaços de papel. Segue o dia todo com suas anotações.
Como escritor, este mendigo-cidadão trabalha bem mais horas do que nós... Teria ele, mais a dizer?
Poderia já ter publicado muitíssimos volumes com tantas horas de trabalho repetitivo a que se submete diariamente.
Mas apenas tem idéias e escreve.
Como! Há quanto tempo!
Mas, do que mesmo é feito o seu pensar?
O que lhe move?
O que não aceita jamais?
O que o inspira?
Qual o seu mundo?
Inconformidade, traços e meias-palavras caóticas?
Este seu texto, busca como o meu, razão ou linearidade?
Vejo-me, ainda adolescente, andando pelas ruas de São Paulo, com máquina fotográfica pesada nas mãos... Caminhando quilômetros, atrás de imagens paulistanas e inusitadas...
Foi nesta época, caminhando inocente, que descobri este cidadão panamericano.
Desde então, por vezes lhe vigiei, visitei...
Mas depois de tanto tempo...
Já decolei daqui tantas vezes, encontrei outros destinos para minha história. Também pousei de volta outras tantas vezes...
...enquanto mudei de cena, de trabalho, amor, personalidade e finalidade...
Ainda lá... ainda louco...ainda são... Ainda salvo... E, ainda então...
Escreve e sequer sabe... da gente.
Numa ocasião, quando o cliquei sem permissão, ríspido, disse que o retrato seria para trazer-me fama e dinheiro, como jornalista.
Neste dia, “conversamos”... E escutei silenciosa, sem contestar.
Estava ciente e muito senhor do seu lugar na sociedade...
Como produto exótico, diferente... espécie de ruído social.
Deste então, passei a vê-lo e pensar nele como o REI
Pois- de verdade- tem sua coroa na cabeça, a mesma longa barba e as palavras escritas, que transbordam de seu pântano interior.
Meu rei é uma estátua viva, onde não pousam pombas, ou se chega perto.
Não é ponto turístico, não incomoda ou se faz ver... quase não existe.
Mas acaba por ter presença brasileira: fala português claro, olha nos olhos...
E hoje, e - já há tempos- vive no entorno da Praça “Pan-americana”.
Somente habita.
Sua morada, de lona preta, coisa rasteira...
E faz-nos refletir que a crença de que devemos civilizar os mendigos, domesticar os índios, gerir os loucos, salvar a humanidade defende que meu amigo Rei é infeliz, pois não está inserido...
Mas este cidadão...
Mundano, histórico, exclusivo...
Ainda assim me Inspira, fascina.
Pois é senhor desconhecido... Porém dono e possuidor ...de seu precioso e quase secreto universo...
Pan-americano.
Entre PEDRAS e PALAVRAS
Seriam as palavras mais duradouras do que as pedras?
Camilo José Cela afirma.
-Não existem palavras inocentes, Freud corrobora.
Jóias - as pedras que passam por gerações.
Preciosas, exclusivas.
Seculares e ainda puras, jóias das mulheres -de gerações- adornam enquanto às tendências. Ao rodar, retornam.
Com elas, seguem-se as palavras:
Relatos de tias, mãe, avós, bisavós e afins, nos chegam como herança ou retrato de outrora.
O que foi dito, denunciado, comunicado, jurado ou decidido.
Durante história brasileira, estiveram em célebres eventos, especiais encontros, sagrados matrimônios... As pedras! Mas também- e com elas- as palavras!
Nunca perecem.
Por vezes... Desaparecem.
Mas tudo, uma vez existido... Misteriosamente se registra.
E o que -de verdade pensar- de palavras, de nossos ancestrais, proferidas até então?
Estas poderosas, resistentes como jóias delicadas, definiram destinos, amores, negócios...
A força de um certeiro “SIM”, um incorruptível “NÃO”, o sem retorno “ADEUS”, e o doce “EU TE AMO”?
Ou ainda, expressões como “SONHO REALIZADO”, “NEGÓCIO FECHADO”.
Se, enquanto "vestimos"as antigas pedras, estariam as palavras silenciosamente registradas em nossos “DNAs” descendentes?
Provável.
Mas tanto já é passado, desde nossos senhores bandeirantes.
Construtores da pátria e de uma premissa progressista e sem contestação.
Ao derrubar matas, dinamitar minas, iniciar as estradas.
O novo Inaugurando o futuro!
Um futuro de valores inversos.
Hoje, nossa gente quer ver pedra, ser pedra.
Estudada, preservada e visitada.
E a palavra, um dia ela valiosa, feito ouro e diamante...
Era proferida com temor e zelo em nome da tradição.
Pois dita, sempre por um alguém... Com endereço e família.
Talvez por isso, “palavra” significou também imposição, autoridade, preconceito e julgamento.
Hoje, palavra é liberada, compartilhada, encaminhada, mal interpretada e proferida à vontade.
E um nosso futuro, que ainda não sabemos se de valores inversos novamente.
Pois assim como a história, as tendências, que ao rodar, retornam!
Interessante... o que foi belo e já passou.
Memórias daqueles primeiros a colocar as mãos:
Lapidar.
Redigir e recitar as verdades.
Atirar as primeiras pedras
...são marcas irrefutáveis... Nossas...
... E para sempre!
Camilo José Cela afirma.
-Não existem palavras inocentes, Freud corrobora.
Jóias - as pedras que passam por gerações.
Preciosas, exclusivas.
Seculares e ainda puras, jóias das mulheres -de gerações- adornam enquanto às tendências. Ao rodar, retornam.
Com elas, seguem-se as palavras:
Relatos de tias, mãe, avós, bisavós e afins, nos chegam como herança ou retrato de outrora.
O que foi dito, denunciado, comunicado, jurado ou decidido.
Durante história brasileira, estiveram em célebres eventos, especiais encontros, sagrados matrimônios... As pedras! Mas também- e com elas- as palavras!
Nunca perecem.
Por vezes... Desaparecem.
Mas tudo, uma vez existido... Misteriosamente se registra.
E o que -de verdade pensar- de palavras, de nossos ancestrais, proferidas até então?
Estas poderosas, resistentes como jóias delicadas, definiram destinos, amores, negócios...
A força de um certeiro “SIM”, um incorruptível “NÃO”, o sem retorno “ADEUS”, e o doce “EU TE AMO”?
Ou ainda, expressões como “SONHO REALIZADO”, “NEGÓCIO FECHADO”.
Se, enquanto "vestimos"as antigas pedras, estariam as palavras silenciosamente registradas em nossos “DNAs” descendentes?
Provável.
Mas tanto já é passado, desde nossos senhores bandeirantes.
Construtores da pátria e de uma premissa progressista e sem contestação.
Ao derrubar matas, dinamitar minas, iniciar as estradas.
O novo Inaugurando o futuro!
Um futuro de valores inversos.
Hoje, nossa gente quer ver pedra, ser pedra.
Estudada, preservada e visitada.
E a palavra, um dia ela valiosa, feito ouro e diamante...
Era proferida com temor e zelo em nome da tradição.
Pois dita, sempre por um alguém... Com endereço e família.
Talvez por isso, “palavra” significou também imposição, autoridade, preconceito e julgamento.
Hoje, palavra é liberada, compartilhada, encaminhada, mal interpretada e proferida à vontade.
E um nosso futuro, que ainda não sabemos se de valores inversos novamente.
Pois assim como a história, as tendências, que ao rodar, retornam!
Interessante... o que foi belo e já passou.
Memórias daqueles primeiros a colocar as mãos:
Lapidar.
Redigir e recitar as verdades.
Atirar as primeiras pedras
...são marcas irrefutáveis... Nossas...
... E para sempre!
Um meu VIVA à Terra
Viva o balão mágico!
A magia desse balão lindo, e colorido, conhecido por planeta!
Que flutua à luz da lua,
Permanece graças ao calor e constância de um astro Rei.
Viva ao balão redondo!
... Também verde e amarelo, de todas as possibilidades!
Que encanta, com vista de estrelas presentes, mas lá longe e sem alcançarmos.
Viva a nós, poeira de estrelas.
Matéria pura, e também superior, divina, elástica.
À toa, nessa imensidão do existir.
A deriva e na espera de quando o nosso dia chegar e para lá seguirmos, nus, no êxtase ímpar, pessoal e indolor.
Mesmo que arrancados da dimensão limitada por medos ou senão.
Viva o balão mágico, sonhos de eu criança! Tão longe daqui, mas neste lugar.
A mágica do balão, de hoje, eu mulher, desejos profanos que me sugerem nada ter de mundo; senão eternidade e a busca do que é pra sempre, chamado de sei lá, amor divino, etéreo, onde se alcança o todo, mas também para todos.
Passagem na Terra, pelas mãos do todo, assistidos pela única galáxia. Escura, silenciosa. Apenas longínquo ruído de infinito e o aroma intenso do para sempre.
Viva a roda, o ciclo, o balão!
A existência e o fim, que nos trará de volta,
Com mais ainda, o Tesão!
Que flutua como nós.
Pelo caminho...
Sagrado, sincero e atemporal.
E sem sabermos para onde!
A magia desse balão lindo, e colorido, conhecido por planeta!
Que flutua à luz da lua,
Permanece graças ao calor e constância de um astro Rei.
Viva ao balão redondo!
... Também verde e amarelo, de todas as possibilidades!
Que encanta, com vista de estrelas presentes, mas lá longe e sem alcançarmos.
Viva a nós, poeira de estrelas.
Matéria pura, e também superior, divina, elástica.
À toa, nessa imensidão do existir.
A deriva e na espera de quando o nosso dia chegar e para lá seguirmos, nus, no êxtase ímpar, pessoal e indolor.
Mesmo que arrancados da dimensão limitada por medos ou senão.
Viva o balão mágico, sonhos de eu criança! Tão longe daqui, mas neste lugar.
A mágica do balão, de hoje, eu mulher, desejos profanos que me sugerem nada ter de mundo; senão eternidade e a busca do que é pra sempre, chamado de sei lá, amor divino, etéreo, onde se alcança o todo, mas também para todos.
Passagem na Terra, pelas mãos do todo, assistidos pela única galáxia. Escura, silenciosa. Apenas longínquo ruído de infinito e o aroma intenso do para sempre.
Viva a roda, o ciclo, o balão!
A existência e o fim, que nos trará de volta,
Com mais ainda, o Tesão!
Que flutua como nós.
Pelo caminho...
Sagrado, sincero e atemporal.
E sem sabermos para onde!
Assinar:
Postagens (Atom)